Sobre cartas, sociedades e outras coisas

   Há muito tempo não lia um livro tão delicioso: “The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society”, é um livro que conta uma história em forma de cartas. Tudo começa, é claro, com uma carta (!) endereçada à proprietária de um livro, e a partir daí, X escreve a Y, Y a Z, Z a X, e temos toda uma história contada numa rede de correspondências sem fim. Pano de fundo: uma ilha no Canal da Mancha, Guernesey (vejam que lugar mais lindo), final da 2ª guerra mundial, uma sociedade literária. A tarte de casca de batata vem depois.

O que tem de maravilhoso no livro? Primeiro, a mais absoluta das verdades, um livro puxa a outro, que puxa outro e por aí vai. (Meu conhecimento da literatura inglesa aumentou imenso!). Aprendi mais um pouco sobre Charles Lamb, Wilfred Owen, William Wordsworth, entre outros. Mas a delícia da coisa está nas cartas… acredito que as pessoas têm mais coragem de se abrir ao escrever do que ao falar, e no seu estilo britânico, correcto, ‘polite’, discreto, elas vão perguntando as mais indiscretas confidências… Não sei se já disse, mas acredito que em outra vida (se é que tive outras vidas) devo ter sido algo entre Jane Austen e Irmãs Bronté, só isso explica esse meu fascínio por essa maneira de ser britânica tão ‘polite’ e tão romântica…

Há livros que nos modificam, quer porque nos identificamos com a acção ou com os personagens, não importa, sentimos que a partir daí somos um ‘tiquinho’ diferentes. Eu acho que esse livro tem esse dom. A autora conseguiu contar histórias muito bonitas e muito emotivas, sem ser lamechas ou pedante, deitando uma luz viva e acolhedora sobre um período da história cheio de miséria e sofrimento. Porque as coisas ruins passam, mesmo que pareçam durar uma eternidade… Dá-nos vontade de termos a nossa pequena sociedade literária, de trocarmos cartas como no antigamente, de partilharmos um pouquinho daquilo que nos dá prazer nessa vida.

As novas tecnologias tiraram esse prazer calmo das cartas, a espera tornou-se muito penosa para um mundo sem paciência… Mas, como tudo, há que saber tirar o melhor proveito das coisas: embora o facebook seja uma ferramenta da qual todos desconfiamos, tenho de partilhar aqui uma das suas alegrias. Conheci através dele um grupo de amigos com interesses variados (música, cinema, política, literatura), gostos ecléticos e dispersos, mas que de vez em quando lá se reúnem e partilham os seus pontos de vista. Quis o destino que lhe chamassem ‘Gang Cool’, quis as origens que o prato principal fosse por 2 vezes a Alcatra à moda da terceira. E que tal se um dia escrevesse um pequeno livro ‘O Gang Cool e a Alcatra da Terceira’? Aceitam-se cartas (ou emails) com opiniões sobre o mesmo.

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  1. #1 by Monica on 25/05/2011 - 21:50

    Êba, mais um pra minha listinha!!! (listona…)
    bjk

    • #2 by ramoscheiosdeamora on 26/05/2011 - 12:51

      Mónica, põe esse no topo! É pequenino, lê-se num instante, e deixa a gente com muito bom astral…Melhor que prozac!
      Bjs,
      Ana

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