“Encontro nas águas do Mondego as ninfas da história…”

Reza a lenda que havia uma donzela mui formosa na Serra da Estrela por quem apaixonou-se um nobre espanhol de nome Diego. Viviam uma linda história de amor quando o seu rei o chamou para a guerra e Diego nunca mais voltou. A donzela passou os seus dias a chorar e a chamar pelo seu amado ‘mon Diego’…. suas lágriamas correram pela serra abaixo e deram origem ao rio Mondego.

Conta outra história ainda  Coimbra, mais precisamente nos jardins do Mosteiro de Santa Clara a velha, banhada em lágrimas e dor, essa que Camões assim recita:

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.

Outros houveram, como Lenau, que no lugar de ninfas procuraram sereias naquelas águas, sem saber que elas andavam  em terra, suscitando mágoas (e lágrimas)… e que com melancolia, levaram mesmo ao oceano sem fundo da loucura.

Mas a história aqui contada é a do Mosteiro: Santa Clara das Águas: a História de um Mosteiro e de um Rio que nunca lhe deu Paz… Fundado por Dona Mor Dias, filha de nobres que passou sua vida no Mosteiro de Santa Cruz, teve a grande ousadia de querer ter o seu próprio convento. Ora, significava que os Cônegos de Santa Cruz perderiam o seu dote certo? Dona Mor, boa portuguesa, fincou pés, fundou seu Mosteiro, mesmo tendo sido na contenda excomungada pelo Bispo de Coimbra. Só com a Rainha Dona Isabel (a do milagre das rosas) a contenda ficou resolvida e a construção do Mosteiro foi adiante.

Coimbra p’ra ser Coimbra
Três coisas há-de contar:
Guitarras, tricanas lindas,
Capas negras a adejar.

Histórias das tricanas de Coimbra, segundo diz o letreiro na estátua, “Mulher bonita, graciosa, de porte altivo, mulher de trabalho, desafiando a vida, mas nem sempre correspondida no amor…”

Enfim, histórias de mulheres não faltam por aqui. E como já dizia o fado:

O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer saudade…

Fotos: A Tricana em Coimbra, O Assassinato de Inês no Mosteiro de Santa Clara a velha, Coimbra e o Mondego

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