When the Saints Go Marching In

Oh, when the saints go marching in
Oh, when the saints go marching in
Lord, how I want to be in that number
When the saints go marching in
 
Oh, when the trumpet sounds its call
Oh, when the trumpet sounds its call
Lord, how I want to be in that number
When the trumpet sounds its call
 
Some say this world of trouble,
Is the only one we need,
But I’m waiting for that morning,
When the new world is revealed.

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O sonho da Minnie – Ballet da Luisa – Julho 2011

A idade não perdoa…a mãe meio cegueta esqueceu os óculos em casa e já ia confundindo a filha com outra bailarina… Oh vida!

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A Lacuna

Lacuna: espaço vago no interior de um corpo.

A escolha do livro foi por mero acaso: entrei na livraria à procura de que alguma coisa me chamasse a atenção, e chamou, o prémio Orange Prize, que premiou anteriormente a escritora Chimamanda Adichie. E valeu a pena. Em linhas gerais o livro conta a história de Harrison Shepherd, meio americano, meio mexicano, meio cozinheiro, meio escritor, com uma vida dividida entre os 2 países, em grande parte no México passada na companhia de Frida Kahlo, na época da visita de Trotsky à sua casa, e depois nos EUA durante a 2ª guerra e a famosa ‘caça às bruxas’. O livro é todo ficção, contado ora através de cartas, ora através de diário deixado pelo próprio personagem. O que faz o livro assim tão bom? Primeiro, a não utilização do óbvio, o espaço que deixa para o leitor pensar e reflectir, a insinuação no silêncio e nas meias palavras. Depois, a impensável construção da nossa civilização actual, do século em que vivemos, e da sua relação (ou confusão) com a nossa própria identidade.

“A parte mais importante de uma história é aquela que não conhecemos.” Embora o personagem tenha sido vítima toda a sua vida de palavras e ‘acidentes da história’ que tenham modificado o seu destino, sem que ele assim o quisesse, é possível ver aqui centenas de analogias com a nossa vida hoje. Quanta gente à nossa volta, através de palavras e pensamentos, a ditar o nosso comportamento! Quanta crítica voluntária e não desejada, nessa nossa sociedade, ao modo de ser e estar das pessoas! Se observarem os livros de auto-ajuda ou de programação neuro-linguística (sim, nós somos programáveis e reprogramáveis até darmos em doidos) verão que têm todos a mesma linha comum, o mesmo comportamento considerado correcto e aceitável, a mesma definição de ‘inteligência emocional’ a perseguir os 4 cantos do globo. Não seja você mesmo, seja aquilo que a sociedade espera de você. A tolerância termina aí. Acabaram-se os tempos das revoluções e das agitações (que até onde sei, não foram feitas utilizando a assertividade). Chegou o tempo do politicamente correcto, e quem não quiser aderir, é porque é um inadaptado nessa sociedade. Não há margem para a diferença.

Questionei-me ao longo do livro o título… embora lá tenha vários significados, entre eles uma frincha encontrada pelo personagem numa rocha no mar, acho que a lacuna aqui representa sempre a passagem que ele encontrava para fugir àquela sociedade opressora, de forma a consiguir manter-se fiel à sua identidade. Quantos de nós conseguimos fazer isto nos dias que correm?

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Saudades do meu pai

Foram papeizinhos com frases assim que encontrei quando finalmente consegui chegar à casa. Não cheguei a tempo de estar com ele nos últimos minutos, nem sequer para estar presente no funeral. Fiz um ‘passeio’ pela casa, respirando o seu cheiro que ainda estava presente nos locais onde passava. Lembrei-me dos maus momentos, da teimosia, da impaciência, das discussões à volta da mesa, e dos bons momentos, do orgulho da filha querida, da admiração pela minha atitude de desafio ao mundo, manifesta desde pequenina. Corri até lá para respirar o que ainda restava dele. Para lembrar o pai babado que sempre foi na minha infância, sempre a me incentivar a enfrentar tudo, apesar do medo, ou mesmo por causa dele. O respeito na idade jovem, o medo de perder a filha tão independente, páreo duro na teimosia. Morreu no dia 30 de Novembro de 2010, com 85 anos, sem doença prolongada, sem sofrimento maior, simplesmente partiu, depois de andar anos a dizer que já tinha ultrapassado o prazo de validade. Das nossas conversas espantou-me sempre  a rectidão de caráter em todas as opções de vida, sem ilusões, sabendo que a vida não é justa, que por defendermos as nossas convicções podemos ter mais a perder do que a ganhar, excepto, é claro, um olhar límpido e transparente de uma alma de criança e um sono ‘abensonhado’.

PS: Meus agradecimentos às Duas Fridas, que me inspiraram e permitiram hoje colocar essas saudades pra fora…

 

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E a história se repete…

 ‘Já repararam como parece que vivemos a história de há 100 anos atrás?’  Esse é o comentário que mais escuto nas conversas e mais vejo ultimamente nos passeios pelas redes sociais. Não tendo uma experiência pessoal de há cem anos atrás, tive de investigar um pouquinho o assunto. O que acontece é que em 1885  as principais potências europeias decidiram, na Conferência de Berlim (será coincidência???), repartir África entre si segundo o «princípio da ocupação efectiva», isto é, os territórios africanos deveriam pertencer a quem tivesse os meios para os ocupar de facto. Nesta altura Portugal já tinha pouco peso no panorama político, mas territórios de interesse nas antigas colónias em África, onde pretendia ver reconhecidos os territórios entre Angola e Moçambique.

 A reacção do governo inglês chegou no dia 11 de Janeiro de 1890, sob a forma de um ultimatum (outra coincidência???) formal apresentado ao governo português pelo representante britânico em Lisboa e no qual se exige que todas e quaisquer forças militares portuguesas que se encontram nas regiões entre Angola e Moçambique se retirem sob a pena de corte de relações entre os dois países. O então Rei D.Carlos I cedeu, levando a uma vaga de descontentamento nacional, aproveitada pelo emergente Partido Republicano, que acabaria por levar ao assassinato do próprio rei e à implantação da república em Outubro de 1910.

Nas suas publicações ‘As farpas’, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós descrevem o pais e a sociedade portuguesa naquele final de século, mas quem lê pensa que estamos a falar dos dias de hoje. Da União Europeia, dos interesses dos grandes países, do ‘últimato’ do FMI, do interesse (em seu proveito) dos partidos políticos, do descontentamento e da inércia da população.

Chamou-me em particular atenção a carta que Ramalho Ortigão, com 74 anos, escreve a Teófilo Braga, que presidia o governo provisório da república portuguesa,  onde manifesta a sua repulsa em engrossar “o abjecto número de percevejos que de um buraco (estava) vendo nojosamente cobrir o leito da governação“, enviando-lhe de presente “o seu chapéu alto, da melhor marca Gélot, calculando que lhe podia ser muito útil para as cerimónias presidenciais, e que para ele (Ramalho) era de todo supérfluo, agora que ia começar carreira nova e vestir, de novo, como aos vinte anos, o jaquetão de operário”.

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Júlio

No dia 5 de Outubro de 2000, 90 anos depois da República, Júlio Pinto emigrou para a constelação da Utopia, essa para onde iriam todos aqueles que, ao longo da sua vida, se comprometeram à construção dum Mundo melhor.

 E lá deverá ter encontrado grandes companheiros. Platão, que escreveu a República, a primeira tentativa da Utopia aqui na terra, Thomas Morus (More), e quantos cidadãos comuns que se propuseram à construção da Utopia, correndo sérios riscos conta o Poder estabelecido.

A  Utopia é o desejo das grandes almas, dos grandes homens, dos grandes vultos. Reencontrou o seu epígono – amigo Mário Henrique Leiria, com quem partilhou o seu último Natal terreno. E reatou as conversas com o Zeca, o Adriano e até o Ary e outros que nós conhecemos por aí.

…porque fora embora deixando a conversa sem rematar. Mas, pensei, isso só se pode fazer aos amigos, só eles sentem a falta de quem deixou a conversa na metade.

 Rui Conde de Pinho,

Adaptado do Tributo de Alípio de Freitas a Zeca Afonso

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Festas Juninas

Oh saudades que eu tenho das festas juninas em BH… passei aqueles anos todos a dançar quadrilha com vestido de chita e a beber quentão (uma mistura de cachaça com açucar e cravo) sem saber bem porque as festas eram em Junho e não noutro mês qualquer… Parecia ser o mês ideal, com aquele friozinho que se fazia sentir nas noites em Minas! Foi preciso eu chegar cá para perceber (daaa) que há 3 santos famosos a comemorem as suas festas no mês de Junho: Santo António (13), São João (24) e São Pedro (29). Aqui também, é mês de festa de rua: Lisboa fica vibrante, com concertos e marchas na noite de Santo António, o São Pedro é celebrado em várias localidades (como na Afurada, em Gaia), mas o que eu gosto mesmo é do São João no Porto, com sardinhas e pimentos assados e regada com um bom vinho, seguida do lançamento de balões (que exige uma técnica apuradíssima para evitar que se queimem) e um fim de noite com um céu povoado de estrelas douradas…

Meu balão não é d’espanto!
Não tem vinda, só tem ida,
Leva risos, leva pranto…
Tudo faz parte da vida.
(Quadra tradicional de São João, autor anónimo)

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