Posts Tagged história de Portugal

E a história se repete…

 ‘Já repararam como parece que vivemos a história de há 100 anos atrás?’  Esse é o comentário que mais escuto nas conversas e mais vejo ultimamente nos passeios pelas redes sociais. Não tendo uma experiência pessoal de há cem anos atrás, tive de investigar um pouquinho o assunto. O que acontece é que em 1885  as principais potências europeias decidiram, na Conferência de Berlim (será coincidência???), repartir África entre si segundo o «princípio da ocupação efectiva», isto é, os territórios africanos deveriam pertencer a quem tivesse os meios para os ocupar de facto. Nesta altura Portugal já tinha pouco peso no panorama político, mas territórios de interesse nas antigas colónias em África, onde pretendia ver reconhecidos os territórios entre Angola e Moçambique.

 A reacção do governo inglês chegou no dia 11 de Janeiro de 1890, sob a forma de um ultimatum (outra coincidência???) formal apresentado ao governo português pelo representante britânico em Lisboa e no qual se exige que todas e quaisquer forças militares portuguesas que se encontram nas regiões entre Angola e Moçambique se retirem sob a pena de corte de relações entre os dois países. O então Rei D.Carlos I cedeu, levando a uma vaga de descontentamento nacional, aproveitada pelo emergente Partido Republicano, que acabaria por levar ao assassinato do próprio rei e à implantação da república em Outubro de 1910.

Nas suas publicações ‘As farpas’, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós descrevem o pais e a sociedade portuguesa naquele final de século, mas quem lê pensa que estamos a falar dos dias de hoje. Da União Europeia, dos interesses dos grandes países, do ‘últimato’ do FMI, do interesse (em seu proveito) dos partidos políticos, do descontentamento e da inércia da população.

Chamou-me em particular atenção a carta que Ramalho Ortigão, com 74 anos, escreve a Teófilo Braga, que presidia o governo provisório da república portuguesa,  onde manifesta a sua repulsa em engrossar “o abjecto número de percevejos que de um buraco (estava) vendo nojosamente cobrir o leito da governação“, enviando-lhe de presente “o seu chapéu alto, da melhor marca Gélot, calculando que lhe podia ser muito útil para as cerimónias presidenciais, e que para ele (Ramalho) era de todo supérfluo, agora que ia começar carreira nova e vestir, de novo, como aos vinte anos, o jaquetão de operário”.

Anúncios

, , , ,

Deixe um comentário