So this is Christmas…

Se o seu fim de ano é como o meu então deve estar ansioso por ver o Natal pelas costas. Há anos que essa altura do ano me presenteia com correrias e uma profusão de gente doida. Espírito de Natal? Há campfunny_photo_20121217022743os de batalha com mais do que numa cidade grande. Sempre a correria dos presentes, a histeria colectiva que beira à depressão, a ansiedade do ano que virá, o pouco que se fez no ano que passou e o famoso balancete anual a nos dar cabo da cabeça… Mas aí se você for como eu, vai se recordar dos lugares novos que conheceu, as pessoas que apareceram e reapareceram na sua vida, das surpresas boas e dos sustos menos agradáveis, e vai descobrir que para o ano, terá mais 365 oportunidades de que tudo isso volte a acontecer. Quer acredite no menino jesus, no pai natal ou apenas em coincidências, este é o tempo que nos foi dado para viver. Saboreie-o e se puder escolher um lema, então, simplifique e sorria…

-Desejo  a todos os meus queridos amigos um natal simplificado e um 2013 pleno de sorrisos (ou vice e versa)!

São os votos da família Ramos da Silva.

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Sem perdão

Ela passeava ali todas as noites, a desfilar os seus vestidos coloridos, vermelho, azul, violeta, um mar de cores como nunca se viu. Vinha com um ar esvoaçante, despreocupado, como se o mundo lhe pertencesse. Tinha se mudado para a cidadezinha há poucos meses, e já era o centro da atenção de todos. Menina fresca, com seus 15 aninhos, altiva e a querer dar ares de mulher feita. Naquelas noites quentes de verão todos saiam de suas casas, que pareciam fornos a assar pães, e punham-se a passear na praça. O grande ipê amarelo que ficava ali no centro, junto ao coreto, era o lugar preferido das meninas. Os rapazes punham-se ao lado da fonte, mais à frente, onde tinham perfeita visão das moças e seus vestidos… Joãozinho ainda era muito novo para olhar para as meninas, tinha 15 anos de rapazice, o que na linguagem das meninas, significa que mal largou as fraldas. Ele punha-se ali a chutar a bola com uns amigos, embora de vez em quando lá deitasse uns olhinhos às moçoilas. Nenhuma lhe fascinava tanto como ela, recém-chegada, vinda não se sabe de onde, um mistério por resolver… Nada nos atrai mais do que o mistério. O que Joãozinho apreciava mesmo era o seu vestido azul celeste, cor de céu quando veio à terra. Fazia com que parecesse um anjo, sobretudo quando trazia o cabelo louro solto nas costas. Aliás, toda a sua imagem parecia irreal, como se a sua existência fosse etérea e estivesse acima de todos os outros, e o acidente da sua presença em tão pacata cidadezinha parecia absurdo, como um céu cinzento num dia de muito calor, quando desejamos que desabe sobre nós e ao mesmo tempo não acreditamos que sejamos abençoados com tamanho alento. Ela era assim. Uma promessa de alento.

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“Encontro nas águas do Mondego as ninfas da história…”

Reza a lenda que havia uma donzela mui formosa na Serra da Estrela por quem apaixonou-se um nobre espanhol de nome Diego. Viviam uma linda história de amor quando o seu rei o chamou para a guerra e Diego nunca mais voltou. A donzela passou os seus dias a chorar e a chamar pelo seu amado ‘mon Diego’…. suas lágriamas correram pela serra abaixo e deram origem ao rio Mondego.

Conta outra história ainda  Coimbra, mais precisamente nos jardins do Mosteiro de Santa Clara a velha, banhada em lágrimas e dor, essa que Camões assim recita:

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.

Outros houveram, como Lenau, que no lugar de ninfas procuraram sereias naquelas águas, sem saber que elas andavam  em terra, suscitando mágoas (e lágrimas)… e que com melancolia, levaram mesmo ao oceano sem fundo da loucura.

Mas a história aqui contada é a do Mosteiro: Santa Clara das Águas: a História de um Mosteiro e de um Rio que nunca lhe deu Paz… Fundado por Dona Mor Dias, filha de nobres que passou sua vida no Mosteiro de Santa Cruz, teve a grande ousadia de querer ter o seu próprio convento. Ora, significava que os Cônegos de Santa Cruz perderiam o seu dote certo? Dona Mor, boa portuguesa, fincou pés, fundou seu Mosteiro, mesmo tendo sido na contenda excomungada pelo Bispo de Coimbra. Só com a Rainha Dona Isabel (a do milagre das rosas) a contenda ficou resolvida e a construção do Mosteiro foi adiante.

Coimbra p’ra ser Coimbra
Três coisas há-de contar:
Guitarras, tricanas lindas,
Capas negras a adejar.

Histórias das tricanas de Coimbra, segundo diz o letreiro na estátua, “Mulher bonita, graciosa, de porte altivo, mulher de trabalho, desafiando a vida, mas nem sempre correspondida no amor…”

Enfim, histórias de mulheres não faltam por aqui. E como já dizia o fado:

O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer saudade…

Fotos: A Tricana em Coimbra, O Assassinato de Inês no Mosteiro de Santa Clara a velha, Coimbra e o Mondego

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A paz que procuro…vem andar e voa…

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ImagemComeçou naquele dia e naquela hora, parto difícil, primogénita, menina já na nascença de grande envergadura, imagino que com a testa franzida a perguntar, não porque a tiraram lá de dentro, mas porque não fizeram um serviço mais rápido e bem feito, enfim, com menos sofrimento; depois são 2 anos sozinha, sem irmãs ou irmãos a chatear, pai quarentão babado e mãe sem experiência super-protetora, combinação perfeita para umas quantas mimices, que foram se acabando à medida que foram nascendo as outras, uma, duas, três, até serem 4 mulheres e já serem tantas que só dava para desejar que o próximo fosse homem, não vá esse mundo virar um reinado de caos no meio do mulherio, mas o tal homem demora para aparecer…antes tem um mundo de escola e responsabilidades, tudo sozinha, porque as irmãs eram mais pequenas e tão pequenas, precisavam de atenção, e aproveitava-se e dava alguma correção quando necessário, nada de traumatizante, até que chegou a vez da primeira comunhão, primeira experiência metafísica, acredito ou não, se não acredito até ao final do ano não faço essa comunhão, e a pergunta à minha irmã e a minha mãe a dizer ‘é claro que ela acredita’, ok, e eu, como vou fazer, até que por luz, inspiração, sei lá, devoção, Ele entrou e nunca mais saiu, e transformou cada gesto e cada ação, e trouxe a experiência de ser ‘mãe emprestada’ quando finalmente o irmão apareceu, e depois a paixão, a primeira, a segunda, como é fácil a gente se apaixonar e tão difícil a gente ‘deslargar’…e tem o curso e o sonho de viajar, correr mundo, novas vidas, novas civilizações, algumas ficam, outras vão, e a vida a dois que vira a três e depois a quatro, e os dias que se sucedem, as férias, o natal, o novo ano, e tudo outra vez, mas nada de rotina não, tudo sempre, sempre, cheio de paixão, de luz, de calor, e enfim, de amor,  e a mesma menina de sempre, com a alma parada naqueles 9 anos de idade, no dia do ‘acredito’, e agora dá licença mas eu tenho que continuar com o meu caminho, aonde leva o meu coração…

*Derbyshire, Chatsworth House Gardens

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Férias…

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Trio Mediaeval

Hoje, na Igreja de São Pedro de Rates. Há música que tem o poder de ressuscitar uma alma perdida…

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